Por que jovens negros tem mais chance a depressão

Você sabia que o Brasil ocupa o topo do ranking no número de casos de depressão na América Latina? Segundo a OMS (Organização Mundial de Saúde), cerca de 12 milhões de pessoas são afetadas pela doença no país! Inclusive, na faixa etária de 10 a 29 anos, o número dos casos de transtornos mentais também é preocupante, especialmente entre jovens negros, que chegam a ter 45% mais chances de desenvolver depressão que um jovem branco.  Por isso, precisamos urgentemente olhar para a saúde mental dos jovens negros! Um ponto de partida para entender esse cenário é falar sobre raça, esse tema nos ajuda a entender como pretos e brancos são percebidos no Brasil, e consequentemente, as diferenças nas maneiras em que são tratados.  Existe no Brasil um imaginário racial que, infelizmente, inferioriza pessoas negras, criado desde o período da escravidão, com a desumanização do povo africano os transformando em escravo, acompanhado de uma ideologia de dominação racial que valoriza a cultura de sociedades brancas e desvaloriza a herança das culturas de origem africana.  Entretanto, além da escravização, temos as políticas de miscigenação e branqueamento, mortalidade infantil, encarceramento em massa, subemprego, desemprego e miséria, que são algumas das expressões do racismo atual na nossa sociedade. Infelizmente, o racismo está presente desde a infância até a vida adulta da população negra, e podemos ver o impacto devastador disso, através de sentimentos de inferioridade, baixa autoestima, sentimentos de vergonha, culpa, medo, angústia, ansiedade, insegurança, inadequação, autocobrança excessiva, rigidez… Para inverter este quadro precisamos combinar uma série de fatores, como por exemplo, políticas públicas de combate e a valorização dos movimentos sociais. É possível e preciso sentir prazer e orgulho de ser quem se é, cultivando amor interior e atuando coletivamente para podermos curar as sequelas do racismo.

Saúde mental e maternidade: como se manter com a cabeça em dia

A gestação e a maternidade trazem importantes mudanças na vida das mulheres, assim como na vida do casal e de toda família ao redor. Por isso, é muito importante cuidar de todos os sentimentos, emoções e pensamentos que vão aparecendo durante esse processo. Existe um termo que vem ganhando destaque dentro desse contexto que é o pré-natal psicológico. Você já ouviu falar? O pré-natal psicológico é uma prática complementar ao pré-natal tradicional, voltado para maior humanização do processo gestacional, e se propõe a prevenir algumas situações potencialmente prejudiciais para a saúde psicológica da mulher decorrentes desse período. Ele se comporta como um espaço para que a mulher possa falar o que sente, sem julgamentos e através disso pensar em novas possibilidades de ação e resolução dos conflitos que surgem em consequência do novo momento. Isso porque, geralmente a maternidade traz sentimentos muito ambíguos. Hora sentimentos que a mulher julga como positivo, hora sentimentos que julga como negativo. Por exemplo, medo do futuro, medo da mudança do corpo, baixa libido, ansiedade em relação ao parto, entre outros. Para mulher, é um momento de mudança total, com muitos lutos para administrar.  O espaço do pré-natal psicológico ganha espaço à medida que paramos de entender a maternidade como algo instintivo e começamos a olhar como uma relação que se constrói, desde a gestão até o nascimento e criação do filho. Por isso, é completamente normal sentir todo e qualquer tipo de sentimento. Ou seja, o pré-natal psicológico aparece como uma prevenção do adoecimento e também como fortalecimento emocional da mulher, de toda a rede apoio que está em volta dela e os preparam para a chegada dessa nova vida que está por vir.

Por que somos tão preconceituosos com o outro?

Primeiro, antes de responder a essa pergunta, quero contextualizar o sentido da palavra preconceito. O preconceito é ação de julgar algo ou alguém antes de conhecer. Esse prejulgamento é feito nas mais diversas situações cotidianas, por exemplo, estranhar uma comida que você não experimentou e julga pela aparência. Em outras palavras, o preconceito é um mecanismo usado no convívio e nos momentos em que nos deparamos com o não familiar, o desconhecido ou o diferente. Embora seja um artifício usado em nossas experiências, o preconceito se torna um problema nos convívios sociais quando significados pejorativos são atribuídos a outros indivíduos ou a grupos de forma generalizada, sendo subestimado pelos seus traços étnicos ou raciais, sem considerar seus contextos e particularidades. Em nosso contexto brasileiro, o preconceito racial é o mais comum e o mais problemático em suas consequências. Uma delas é a segregação racial ou o racismo, que também está intimamente ligada a problemas sociais como a desigualdade, a violência e a pobreza. O preconceito racial brasileiro começou como consequência da escravidão, porque os negros eram considerados, até pelos mais estudiosos da época, seres inferiores, associados a animais e desprovidos de inteligência. Além disso, o preconceito também se desdobra em certos valores, na linguagem, em termos pejorativos e no ideal de beleza. O combate a esse tipo de preconceito é urgente e deve ser eliminado por meio da educação, que deve servir como parâmetro de compreensão do mundo e das diferenças, tendo como objetivo a afirmação da igualdade de direitos e deveres que independente de sexo, gênero, cor, orientação sexual, crença ou situação econômica.

Como melhorar a sua relação com as redes sociais?

Te parece impossível viver sem acesso à internet? Seja para trabalho, conversar com os amigos ou se manter informado, a internet está presente em diferentes ocasiões e, definitivamente revolucionou a nossa forma de viver! O grande desafio dessa relação, no entanto, é mantê-la saudável. Um estudo da plataforma Scielo/USP pesquisou a influência das mídias sociais em transtornos como ansiedade e depressão em estudantes de medicina. Acredite, o estudo mostrou que os efeitos do consumo excessivo de redes sociais, além de ser um gasto de tempo que poderia ser dedicado a outras tarefas, traz prejuízos emocionais. Nas redes sociais, com todo mundo compartilhando apenas o lado bom da vida, faz parecer que a felicidade é algo muito simples e só não a conquista quem não deseja. No entanto, a relação entre redes sociais e saúde mental pode sim aumentar a impulsividade, ansiedade, déficit de atenção, hiperatividade, solidão, baixa autoestima e tendência a atitudes suicidas. Como melhorar a minha relação com as redes sociais? É dentro desse cenário que precisamos fazer um questionamento importante: como posso usar melhor as minhas redes sociais? Pensando em te ajudar a responder a essa pergunta, separei algumas dicas importantes para manter essa relação saudável:   • limitar o tempo de navegação  • priorizar páginas que tenham bons conteúdos  • filtrar a fonte e avaliar as informações divulgadas É sempre importante lembrar que a influência das redes sociais na saúde mental depende em grande parte da qualidade do conteúdo consumido e da exposição do usuário à rede. Na maioria dos casos, o consumo desenfreado provoca grandes impactos que podem exigir terapias específicas para restabelecer o equilíbrio e o bem-estar emocional. Por isso, fique de olho e atento aos seus hábitos!

Por que estamos vivendo a era do esgotamento mental?

Você sente que termina seus dias extremamente cansado, indisposto, ansioso e/ou desmotivado? Se a sua resposta foi sim é provável que você esteja passando por um período de esgotamento mental. Essa é uma situação marcada pelo desequilíbrio do corpo e da mente, ou seja, é quando uma pessoa atinge o limite das suas emoções e pode vir a desenvolver ansiedade generalizada, crises de pânico e até depressão. Para saber se você está passando por um período de esgotamento mental, listei abaixo os principais sintomas dessa condição: perda da produtividade; irritabilidade; insônia; desmotivação com a vida; dificuldade de raciocínio e de concentração; ansiedade; Quais são as causas do esgotamento mental? O esgotamento mental, normalmente, surge pelo excesso de preocupação, por exemplo, a pressão de atingir metas, competição no trabalho, desconfiança, insatisfação, infelicidade no casamento, acúmulo de tarefas no dia a dia, entre outros. Além disso, a pandemia da Covid-19 também contribuiu com o aumento do quadro de esgotamento mental na população, uma pesquisa feita pela USP mostra o Brasil liderando a lista de 11 países com mais casos de depressão e ansiedade durante a pandemia do novo coronavírus. A necessidade de isolamento social combinado com o trabalho home office, fez com que a vida pessoal e profissional se misturasse, perdendo os limites de onde uma termina e a outra começa. O resultado disso são pessoas cada vez mais estressadas, cansadas, ansiosas e deprimidas em diversos âmbitos da vida.  4 dicas para lidar com o esgotamento mental Reverter esse quadro, antes de qualquer coisa, requer consciência de como seu corpo e sua mente tem estado nos últimos tempos. E para começar a lidar com o excesso de preocupações, separarei 4 dicas para aplicar na sua rotina: 1. Mude hábitos Hábitos negativos como trabalhar por muitas horas seguidas, comer mal e ingerir muita cafeína são prejudiciais para a saúde, principalmente para a sensação de esgotamento emocional. 2. Pratique exercícios físicosMovimentar o corpo ajuda a liberar serotonina e endorfina, conhecidos como “hormônios da felicidade”. 3. Determine momentos de trabalho e lazer Determinar horários de vida profissional e pessoal ajuda o cérebro a relaxar e descansar de verdade nas horas certas, melhorando a concentração e o humor. 4. Procure ajuda profissional se necessário É fundamental procurar ajuda profissional em situações que não seja possível resolver os problemas sozinho. E para esse ponto, pode contar comigo!

Síndrome de Burnout: o que é e como evitar

A Síndrome de Burnout ou em outras palavras, Síndrome do Esgotamento Profissional é o resultado de uma forte exaustão causada pelo esgotamento profissional, ou seja o estresse pelo excesso de trabalho! Para se ter uma ideia, essa síndrome tem sido uma preocupação cada vez mais frequente em termos de saúde mental relacionada ao trabalho, por exemplo, a Organização Mundial de Saúde (OMS) incluiu a Síndrome de Burnout na lista da 11ª Revisão da Classificação Internacional de Doenças (CID-11). Ao inserir o Burnout na lista da CID-11 caracterizando como “problema associado ao emprego ou desemprego”, a OMS dá maior visibilidade a esse mal, reconhecendo o trabalho como um fator que influencia o estado de saúde do indivíduo. Qual a diferença de Burnout x Estresse? Quando as pessoas ouvem falar da Síndrome de Burnout pela primeira vez, é comum se questionarem sobre qual a diferença e como identificar quando é síndrome ou o estresse. Na verdade, um faz parte do outro, os sintomas do estresse constante estão presentes na Síndrome de Burnout. Em outras palavras, a síndrome de Burnout é uma consequência do estresse crônico. Mas vale pontuar, a principal característica da síndrome de Burnout está relacionada ao trabalho! É o estado de exaustão e tensão emocional, provocado por condições de trabalho desgastantes, e o estresse, é a reação do corpo a essas situações. Em resumo, o corpo e a mente ficam constantemente em posições de alerta devido as demandas do trabalho, o que gera um esgotamento físico e emocional, onde é possível constatar um quadro de Bournot. Prevenir é melhor do que remediar. Ficar cansado depois de uma semana intensa de trabalho é completamente normal. Assim como vivenciar momentos de estresse causado pela rotina. No entanto, dar atenção aos sinais da mente e do corpo, principalmente quando todo o cansaço e estresse parecem piorar no ambiente de trabalho, é fundamental para evitar que aconteça casos do Burnout. Aqui vai alguns pontos de atenção: Repare como seu corpo reage ao chegar e ao sair do seu local de trabalho. Dores de cabeça, taquicardia, respiração mais ofegante… O desânimo para cumprir as tarefas, a falta de concentração e foco ou aquela vontade de desligar o despertador pela manhã e “matar o serviço” são indícios de que algo não vai bem.  Não ignore as reações do seu corpo, elas apontam o caminho e dão os primeiros sinais de que é preciso desacelerar! Lembre-se também que o desenvolvimento da síndrome está associado a esgotamento físico e mental, e rotinas mais saudáveis que envolvam boa alimentação, boa higiene do sono e a prática de atividades que diminuam o estresse, contribuem para evitar a progressão do distúrbio.

O valor da amizade para a sua saúde mental

“Quem tem um amigo tem tudo Se o poço devorar, ele busca no fundo” já dizia Emicida na música que fez com Zeca Pagodinho e com a Tokyo Ska Paradise Orchestra. Um amigo, segundo ele, “É um ombro pra chorar depois do fim do mundo”. Somando à verdade secular, a música de 2020 mostra também que as relações de amizade são ótimas para nossa saúde mental, sendo indispensável para qualquer pessoa, quase como um instinto, uma resposta natural ao que é estar vivo. Mas a amizade não é algo que se recebe apenas. Estar lá na alegria e na tristeza, e oferecer apoio é uma via de mão dupla. Na maioria das vezes, isso acontece com contato físico, e promove saúde física e emocional. Temos falado bastante aqui no blog sobre saúde mental e também sobre como a pandemia, que obrigou milhões de pessoas a se isolarem, afetou o bem-estar geral, desencadeando um aumento nos números de indivíduos com ansiedade e depressão. O toque físico, extremamente necessário segundo a ciência, e as trocas de experiências ficaram em segundo plano, em um mundo que fundiu ainda mais a vida profissional com a pessoal. A verdade é que ninguém está bem. Aliás, como poderia? O cansaço causado pelas telas nos fazem usá-las para trabalhar, estudar ou para os famosos streams, não muito mais que isso. Quase não sobra tempo para festinhas virtuais ou para ouvir por horas aquele amigo que a gente ama. Ouvir longamente uma fofoca, como fazíamos na mesa do bar, é quase impossível. Passar um dia viajando, criando boas memórias, também. Não quero parecer negativa, mas é um fato que a pandemia afetou para sempre a forma como nos relacionamos. Como, então, podemos tentar driblar todas essas questões? Vou compartilhar ações que funcionam para mim. Se você achar que eu posso acrescentar algo, me conta nos comentários? Primeiro de tudo, eu preciso me sentir bem comigo mesma. Como vou poder oferecer um tempo de qualidade para alguém que eu amo se estou com enxaqueca ou estresse nas alturas por conta do meu trabalho? Por isso, separo pequenos intervalos de tempo para meditar, respirar fundo, fazer um escalda pés, usar um óleo essencial, tomar um chá, ver um filme bobo. Aqui, qualquer coisa que me acalme está valendo. Quando me sinto bem de uma forma minimamente mensurável, mando aquela famigerada mensagem do ‘oi sumida(o)’, mas sem pressão ou pedindo resposta rápida. Ressalto que a pessoa deve responder quando puder e quiser, e me reservo o direito de fazer o mesmo. Se eu ver algo que sei que um amigo vai gostar, mando para ele, mas com muito cuidado também, porque ninguém merece ser sobrecarregado com links neste mundo cheio de informações. Ainda sobre o ponto anterior, sei que às vezes bate aquela vontade de falar com as pessoas que a gente ama, mas é sempre bom perguntar se pode ligar e, em hipótese alguma, mandar “preciso falar agora. Cadê você? Preciso de você. É urgente” se realmente não for urgente. Isso pode causar ansiedade e, posteriormente, um afastamento, ou seja, não é legal para nenhuma das partes. Quando o amigo ou a amiga responder, tento marcar um horário para batermos um papo curto, perguntar da família, dar risada de uma coisa inusitada que aconteceu no mercado, compartilhar sentimentos pandêmicos ou falar da reação da vacina. Tudo de forma muito leve, como se deve ser. Ressalto mais uma vez que está difícil para todo mundo, todos estamos com medo e, muitas vezes, nos sentimos sós no mundo. Por isso, precisamos ter cuidado com as relações e com as cobranças. Se eu vejo que um amigo ou amiga está muito mal, tento mandar por deliver um mimo que reconforte, uma cartinha, uma foto impressa de um momento muito bom, flores, chocolate, um contato de profissional de psicologia ou qualquer coisa que faça aquela pessoa se sentir amada e cuidada naquele momento. Algo que não é menos importante que os pontos anteriores: se você estiver sentindo falta de alguém em sua vida, há formas de falar isso sem parecer invasivo ou injusto com o que estamos todos enfrentando. E é um ato de coragem fazer isso, não é mesmo? Coragem de se mostrar vulnerável e dizer para o outro “eu quero você por perto”, e acionar aquela forma de lidar, caso venha algum tipo de rejeição. Por fim, situações que tentamos visualizar no futuro podem nos afetar como se realmente tivéssemos vivido aquilo. Por isso, sem criar grandes expectativas, tente imaginar que, em um futuro não muito distante, você vai poder ver aquela pessoa querida, dar um abraço bem apertado e contar as novidades pessoalmente. Faça isso principalmente naqueles dias mais difíceis. Tenho certeza que vai ajudar.

Esgotamento mental no trabalho: como identificar e por que é perigoso para sua vida pessoal?

Segundo a International Stress Management Association, nosso país está em segundo lugar no ranking de trabalhadores com burnout, também conhecido com esgotamento mental, uma síndrome onde o atingido apresenta alto nível de estresse relacionado ao trabalho. Esse tipo de estresse crônico enfraquece o sistema imunológico e pode facilitar o aparecimento de outras doenças psicossomáticas, como a ansiedade e a depressão. No texto “Trabalho e saúde mental: cuidado com as armadilhas!” disse que, de acordo com a OMS, ser mentalmente saudável é ser capaz de desenvolver habilidades pessoais, lidar com estresse, mudanças e desafios, desenvolver relações sociais e trabalhar de forma produtiva, tudo isso com o bem-estar por perto. Mas vamos combinar que esse pequeno parágrafo é, na prática, algo difícil de se manter integralmente. Mas como identificar o esgotamento mental? Se você se sente intensamente desgastado em seu ambiente de trabalho, sempre chega ao fim do dia cansado físico e mentalmente, extremamente estressado, sente que não é mais o mesmo, que seu raciocínio está lento e o seu humor no chão, talvez você precise parar e olhar para isso com calma e, mais importante, com ajuda profissional. Outros sintomas são: dores de cabeça frequentes, dores musculares, alteração nos batimentos cardíacos e sentimento de fracasso. Com todos esses sintomas, todas as outras áreas da sua vida serão afetadas, se já não estão sendo. Infelizmente, você não terá tempo de qualidade para passar com amigos e família, e vai se sentir cada vez mais distante. A recomendação dos especialistas diante desses sintomas é unânime: não dá para deixar para depois. Quanto mais cedo você olhar para isso, mais cedo voltará integralmente à ativa. 2020 foi o ano em que a concessão de auxílio doença e aposentadoria por invalidez devido a transtornos mentais bateu recorde! Segundo a Secretaria Especial de Previdência e Trabalho, houve uma alta de 26% em relação a 2019, com 576,6 mil afastamentos. Entre eles, há maior incidência de afastamento por depressão e ansiedade, doenças, como disse, desencadeadas pelo burnout. Caminhos para solução Apesar de o mundo atual ser movido a telas, informações e estímulos, às vezes, buscar exercícios para deixar o FOMO (Fear of Missing Out, ou, em tradução livre, medo de ficar de fora) de lado, podem te ajudar. Praticar exercícios e ter horários para lazer com pessoas com as quais você se importa, também. Outra ação que pode, e deve, ser tomada diz respeito à organização do seu dia. Pessoas que estão sempre apagando fogo, no sentido figurado, têm mais chances de se estressar e chegar ao burnout. Por isso, tente planejar sua semana no domingo ou na segunda de manhã, separando as atividades em 1. importante, 2. urgente e 3. circunstancial, que é aquela tarefa pedida de última hora e para ontem. Te dou mais um conselho! Busque seu autoconhecimento. Conforme você se conhece mais, vai saber seus horários mais produtivos, o que te agrada ou desagrada, quais são os seus sonhos, qual é o seu propósito e o que te faz feliz. A cultura da correria, hiperconexão, não separação da vida pessoal e profissional, jornadas exaustivas, não podem continuar sendo normalizadas Coloque em sua agenda pausas de cinco ou dez minutos ao longo do dia para fazer um exercício de respiração, para meditar ou se alongar. Tente não fazer mil atividades ao mesmo tempo, se comprometa a ter uma atenção exclusiva a cada uma delas. Com pouco tempo, sua qualidade de vida vai aumentar e o distúrbio causado por más condições de trabalho pode diminuir ou não chegar até você.

Violência contra mulheres negras e o feminismo interseccional

Não é difícil ouvir que certos grupos estão segregando, dividindo forças ou lutando contra o preconceito sendo preconceituosos. O chamado feminismo interseccional, uma corrente que leva em conta não só o gênero, como também a classe e, principalmente, a raça de uma mulher, está cansado desse tipo de abordagem. “Mas por que isso? Não podemos juntar esforços?” alguém pode perguntar. Podemos e devemos! No entanto, se muitas mulheres não se sentem acolhidas por outros tipos de feminismos, a pergunta deve ser “estamos realmente incluindo demandas de todas em nosso movimento?”. Vamos a alguns dados A população negra (preta ou parda) corresponde a 56,2% da população brasileira, segundo dados recentes da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD Contínua). Com quase 60 milhões de pessoas, as mulheres negras formam o maior grupo populacional do país. No entanto, elas são as mais afetadas por crises, o que denuncia uma condição social e econômica ainda muito abaixo do que deveria ser, do que seria justo, vamos dizer assim, para uma efetiva igualdade. A falta de políticas públicas direcionadas só potencializa essa condição. Apesar da mulher negra ter entrado no mercado de trabalho antes da mulher branca, a PNAD mostrou também que, em 2020, o desemprego entre mulheres não negras foi de 13,5%, enquanto que, entre mulheres negras, o número chegou a 19,8%. A taxa de desemprego é quase o dobro, se compararmos com a taxa verificada entre homens brancos. E falando em salário, mulheres negras ganham em média R$ 1.476 por mês, enquanto que mulheres brancas ganham em média R$ 2.529 no mesmo período. Não vou nem trazer aqui a média do salário de um homem branco, mas você pode imaginar. A violência contra a mulher negra é secular e persiste. Um levantamento do G1 com base nos dados oficiais dos 26 estados e do Distrito Federal mostrou que no primeiro semestre de 2020, 75% das mulheres assassinadas eram negras. A mulher negra era, nessa altura, 3 entre 4 mulheres assassinadas neste país. Com isso em mente, volto ao questionamento inicial para quem reclama do feminismo interseccional, acusando-o de separar o movimento e colocar nossas demandas acima das outras: há realmente uma inclusão equalizada de demandas? Pioneirismo forçado A mulher negra é pioneira. Não quero que você, leitora ou leitor, ache que isso seja super legal. Ter entrado no mercado de trabalho muito antes das mulheres brancas, ter reivindicado direitos não só para elas, mas para seus filhos e conhecidos, foram ações frutos da extrema necessidade. Até os dias de hoje vemos que muito mais mulheres negras empreendem por necessidade. Sem emprego, elas ficam sem escolha e precisam empreender às pressas, sem muito planejamento, o que afeta mais ainda sua condição econômica. Na emergência, nós nos erguemos e arranjamos uma forma de sobreviver, e não deveria existir uma romantização em volta desse fato. Ao longo dos séculos tivemos que nos reinventar muitas vezes, e seguir caminhando mesmo com os atravessamentos violentos não só contra nossos corpos negros, mas contra os corpos de nossos pais, irmãos, primos, tios e companheiros. Para mim, o feminismo interseccional é mais uma dessas formas de buscar soluções para os problemas de muitas. Há muitas outras que no final têm o mesmo objetivo: diminuir essas desigualdades. Focadas em nossas demandas entre nós e com aliadas e aliados que entendem e querem somar, iremos mais longe. Lembrando de Angela Davis, quando uma mulher negra se movimenta, toda a estrutura da sociedade se movimenta com ela.

O que podemos aprender no nosso dia a dia com a força mental dos atletas nas Olimpíadas

Naomi Osaka, 23 anos, uma das maiores tenistas do mundo, fez uma corajosa declaração sobre suas crises de depressão, desencadeadas após a conquista do maior prêmio da categoria, o Grand Slam, em 2018, e deixou um campeonato importante para cuidar de si. Em 2021, no auge das Olimpíadas de Tóquio, Simone Biles, 24 anos, a maior ginasta da atualidade, decidiu não competir na final, para priorizar sua saúde mental. A pressão por performance e resultados voltou a ser debatida nos grandes veículos de comunicação, assim como sinais de estresse e a prejudicial necessidade de  precisar provar seu valor constantemente. Daiane dos Santos, ex-ginasta brasileira e atual comentarista das Olimpíadas, disse que a reação de Simone indica que seu motricional não estava ligado com o mental, o que, trocando em miúdos, é confirmado pela atleta na seguinte fala em uma entrevista. “Sempre que você entra em uma situação de alto estresse, você meio que enlouquece. Tenho que me concentrar na minha saúde mental e não colocar em risco minha saúde e bem-estar. É uma bosta quando você está lutando com sua própria cabeça. Você quer fazer isso por si mesmo, mas ainda fica muito preocupada com o que todo mundo vai dizer.” Em seu perfil no Instagram, a atleta mostrou como treinar muito a fazia ter espécies de apagões, e que nos treinos ela poderia ‘desmaiar’ nos colhões, mas em uma competição, não teria esse apoio, o que aumentava o risco de lesões. Já Rebeca Andrade, 22 anos, mulher negra e brasileira, continuou a competir. O seguinte diálogo, entre um repórter e ela, recém ganhadora da medalha de prata, expõe como uma base psicológica mostrou seu valor e foi decisiva para ela nesse ambiente e após a saída de uma adversária importante. Repórter: Foi tão atribulada a chegada a essa final, eu digo, pro mundo da ginástica, por causa da Simone. O que passou na sua cabeça momentos antes, durante a competição? É difícil se desligar disso também? A gente sabe da importância que ela tem para o mundo da ginástica, era um nome a ser batido, cria uma pressão extra para quem estava competindo sem ela? Rebeca Andrade: Eu acho que o fato dela ter saído não foi nada negativo. As pessoas tem que entender que o atleta não é um robô, ele é um humano. Então, a decisão     que ela tomou foi a coisa mais sábia que ela pode fazer por ela, não foi nem pelos outros, porque não se brinca com a cabeça, sabe? Eu trabalho muito com a minha psicóloga por causa disso. Hoje, eu sou uma atleta diferente justamente pela cabeça que eu tenho. Porque eu acho que se eu tivesse em 2016, como eu era muito nova, muito crua, isso não teria acontecido. […] O que eu sempre falei nas entrevistas também, quando me perguntavam, o que eu sempre admirei nela era o psicológico dela, porque todo mundo sabe que ela é a melhor do mundo, que ela tem todo o talento, ela é incrível mesmo, sabe? Então eu sempre admirei muito isso, porque a pressão em cima dela era muito constante e era muito difícil, então ela acabava se cobrando muito também. […] Eu fiquei orgulhosa dela por ter tomado essa atitude e ter pensado nela antes de qualquer outra coisa. O que podemos aprender com elas? O recorte de um pedaço da vida dessas três mulheres, nos mostram que quanto mais elas entregam, mais é pedido. Por isso, equilibrar os pratos é uma atividade para o qual a preparação acontece ao vivo, sob o olhar de milhares de pessoas e, no caso das Olimpíadas de Tóquio, sob o olhar do mundo inteiro. Eu consigo imaginar a pressão, e você? Nem todo mundo consegue, e está tudo em tirar um tempo para si, dar um passo para trás. Mais do que chegar lá, é preciso muita coragem para se colocar em primeiro lugar e abrir mão de coisas pelas quais se lutou muito, quando aquilo diminui ou elimina seu bem-estar. Está tudo bem não querer se expor a jornalistas que vão fazer perguntas desconfortáveis ou não querer estar próxima dos fãs o tempo inteiro. Por aqui, como fã dos esportes desde pequena, continuo admirando essas mulheres dentro e fora do esporte! Torço para que elas fiquem bem e voltem a achar prazer em suas atividades. Desejo que essas decisões difíceis sirvam como plataforma para mudar paradigmas sobre saúde mental. Apesar da longa discussão, muitos ainda encaram isso como mimimi, mas, como vi por aí nas ruas da internet, “mimimi é a dor que não dói na gente”.